O controle da vida
(Adriano
Nascimento)
A pelo menos 30 dias acompanhei um
casal de rolinhas se enamorando e construindo um ninho na porta do escritório
em que trabalho, por dias o macho fez seleções dos devidos gravetos que
deveriam compor o seu ninho, nessa seleção notei um fato interessante, nem
todos os gravetos e folhas disponíveis eram apropriados, na seleção o macho
pegava os gravetos apropriados por pelo menos 03 vezes antes de subir ao topo
da árvore onde sua fêmea tecia o ninho a cada graveto trazido.
Como é interessante a natureza e o
que ela faz, escolhas em busca do melhor para que sua prole tenha o melhor. Após
alguns dias de trabalho finalmente a fêmea repousa sobre o ninho onde seus dois
ovos ali depositados são incansavelmente confortados debaixo de suas plumas
para que os mesmos venham eclodir em vida.
Depois de alguns dias ouvi o barulho
de vida nova em cima de nosso escritório, freneticamente observei o pai dar
várias revoadas em busca de alimento para mãe e seus filhotes, um carinho e
cuidado todo especial para ver em breve a vida dos filhotes ter continuidade em
suas revoadas, dando assim seguimento à vida e natureza.
Excesso de cuidado! Não sei,
observei que o ninho fora feito bem alto e na ponta dos galhos de uma Caesalpinia
férrea - pau ferro, galhos impossíveis de serem alcançados pelo homem caso
alguém viesse a escalar os galhos, apesar do nome forte uma árvore de galhos
extremamente frágeis e de grande mobilidade ao ser solapada por grandes e
pequenos ventos.
Em uma tarde dessas ao olhar pelo
vidro de nosso escritório percebi que o Pai dos filhotes passou a fazer revoada
diante de nosso vidro, foi quando percebi que um dos filhotes acabara de cair
do ninho vindo a falecer com a queda, rapidamente fui observar o que estava acontecendo
e me deparei com a árvore tendo seus galhos sacudidos pelo vento, e o segundo
filhote fora do ninho e preso pelas pernas em galhos inferiores ao ninho, a mãe
em volta do filhote, o pai pegando novos galhos e fazendo revoadas ao topo da
árvore entregando a mãe que tentava tecer um novo ninho por baixo do filhote em
perigo de vida, em poucos minutos aconteceu o pior o segundo filhote caiu e
como o anterior morreu diante de nossos olhos sem a mínima possibilidade de
ajuda.
Mergulhei em meus pensamentos e
passei a refletir a tragédia que se abatera nessa família de rolinhas, tanto
preparo, tanta dedicação, escolha e segurança, porém faltou um detalhe em tudo
isso, galhos que resistissem ao vento.
A palavra de Deus nos ensina que
devemos construir nossa casa na rocha, “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas
palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou
a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os
ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque
estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e
não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua
casa sobre a areia. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os
ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua
queda. Mateus 7: 24 – 27”
Recordo de ter ficado por dois dias
pensando na tragédia das rolinhas e tentando imaginar se esse tipo de cena acontecesse
em um lar, e como a vida imita a arte! Pensei talvez a mesma possa imitar a
natureza e de fato aconteceu, dois dias após o fato das rolinhas fui ao
cemitério trazer uma palavra de conforto a uma família que perdera o pai, vovô,
marido enfim alguém muito querido por nós o que me fez sair do local de
trabalho em meu horário de almoço e se deslocar até aquele cemitério.
Percebi ao chegar ao velório local
uma grande movimentação de jovens, muitas motocicletas e carros uma verdadeira
procissão naquele local, logo recebi a noticia que se tratava do velório de um
jovens que havia sido morto pela polícia no dia anterior em um assalto a uma
agência bancária, fato esse que me chamou atenção pois no dia anterior o ônibus
que peguei para retornar a minha residência passou próximo a esta agência
bancária onde pude constatar o fim do
assalto e o corpo desse jovem ser recolhido, coincidência ou não lá estava eu
no velório municipal da cidade velando um amigo e presenciando o velório desse
rapaz.
Algo me chamou a atenção a comoção e
desespero era eminente e não pude deixar de notar as pessoas, os familiares a
namorada do jovem e a mãe do rapaz inconformada e em desespero, logo me atentei
aos comentários no local, aquela mãe estava ali enterrando o segundo filho em
menos de três dias de intervalo da morte de outro, o que ocorreu é que o filho
mais novo de aproximadamente 19 anos tinha participado de um assalto no domingo
e havia sido alvejado pela polícia e com os ferimento veio a falecer, o enterro
do mesmo ocorrera na segunda feira e após os sepultamento do filho o irmão mais
velho de aproximadamente 21 anos na terça feira da mesma semana participando de
um assalto em uma agência bancária fora alvejado pela polícia vindo também a
falecer e naquele instante estava sendo velado para ser sepultado naquela tarde
triste de quarta feira.
Minha mente foi a mil meu coração que
havia se comovido com a família das rolinhas agora se quebrantava naquele instante
ao ouvir os fatos, e incessantemente passei a pensar o que faltou naquele lar.
Amor, segurança, atenção, não o sei, mas tenho convicção que faltara ali uma
base sólida para aquela família, faltara ali Jesus Cristo, faltara ali a
entrega do lar nas mãos do criador, faltara ali o controle de Deus.
Muitas vezes não paramos para
refletir o quanto a misericórdia de Deus nos dá a oportunidade de vida, o
quanto há de reconhecimento de sua palavra quando nos ensina a honrar nossos
pais, a sermos filhos obedientes e como pais a corrigirmos nossos filhos com
amor, a educar, acompanhar e ensinar o que é correto aos olhos de Deus a nossa família. Tudo isso me fez pensar mais
em minhas filhas, no amor e no tempo que tenho com minha esposa se dedicando a
cada uma delas, e me fez pensar também que graças a essa graça redentora temos
ensinado os caminhos que as levem ao Senhor.
Pude refletir também que em ambos os
casos citados seja o da natureza ou a da vida, apenas Deus tem o controle sobre
todas as circunstâncias, seja por um fato acidental ou provocado, nossas
escolhas ditam muito do que somos e onde podemos chegar, principalmente se
essas escolhas forem feitas com a apreciação e aprovação do Senhor.
Em resumo penso que precisamos
escolher bem o terreno da construção de nossas famílias, que esse terreno possa
ser preparado com muito cuidado, carinho e amor e que em primeiro plano você
possa escolher um construtor experiente para que seu lar permaneça firmado e em
lugar seguro.
“Se não for o Senhor o construtor da
casa, será inútil trabalhar na construção (...) Salmos 127:1a”
Pense
Nisso!