segunda-feira, 24 de março de 2014

O controle da vida
(Adriano Nascimento)


A pelo menos 30 dias acompanhei um casal de rolinhas se enamorando e construindo um ninho na porta do escritório em que trabalho, por dias o macho fez seleções dos devidos gravetos que deveriam compor o seu ninho, nessa seleção notei um fato interessante, nem todos os gravetos e folhas disponíveis eram apropriados, na seleção o macho pegava os gravetos apropriados por pelo menos 03 vezes antes de subir ao topo da árvore onde sua fêmea tecia o ninho a cada graveto trazido.

Como é interessante a natureza e o que ela faz, escolhas em busca do melhor para que sua prole tenha o melhor. Após alguns dias de trabalho finalmente a fêmea repousa sobre o ninho onde seus dois ovos ali depositados são incansavelmente confortados debaixo de suas plumas para que os mesmos venham eclodir em vida.

Depois de alguns dias ouvi o barulho de vida nova em cima de nosso escritório, freneticamente observei o pai dar várias revoadas em busca de alimento para mãe e seus filhotes, um carinho e cuidado todo especial para ver em breve a vida dos filhotes ter continuidade em suas revoadas, dando assim seguimento à vida e natureza.

Excesso de cuidado! Não sei, observei que o ninho fora feito bem alto e na ponta dos galhos de uma Caesalpinia férrea - pau ferro, galhos impossíveis de serem alcançados pelo homem caso alguém viesse a escalar os galhos, apesar do nome forte uma árvore de galhos extremamente frágeis e de grande mobilidade ao ser solapada por grandes e pequenos ventos.

Em uma tarde dessas ao olhar pelo vidro de nosso escritório percebi que o Pai dos filhotes passou a fazer revoada diante de nosso vidro, foi quando percebi que um dos filhotes acabara de cair do ninho vindo a falecer com a queda, rapidamente fui observar o que estava acontecendo e me deparei com a árvore tendo seus galhos sacudidos pelo vento, e o segundo filhote fora do ninho e preso pelas pernas em galhos inferiores ao ninho, a mãe em volta do filhote, o pai pegando novos galhos e fazendo revoadas ao topo da árvore entregando a mãe que tentava tecer um novo ninho por baixo do filhote em perigo de vida, em poucos minutos aconteceu o pior o segundo filhote caiu e como o anterior morreu diante de nossos olhos sem a mínima possibilidade de ajuda.

Mergulhei em meus pensamentos e passei a refletir a tragédia que se abatera nessa família de rolinhas, tanto preparo, tanta dedicação, escolha e segurança, porém faltou um detalhe em tudo isso, galhos que resistissem ao vento.

A palavra de Deus nos ensina que devemos construir nossa casa na rocha, “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda. Mateus 7: 24 – 27”

Recordo de ter ficado por dois dias pensando na tragédia das rolinhas e tentando imaginar se esse tipo de cena acontecesse em um lar, e como a vida imita a arte! Pensei talvez a mesma possa imitar a natureza e de fato aconteceu, dois dias após o fato das rolinhas fui ao cemitério trazer uma palavra de conforto a uma família que perdera o pai, vovô, marido enfim alguém muito querido por nós o que me fez sair do local de trabalho em meu horário de almoço e se deslocar até aquele cemitério.

Percebi ao chegar ao velório local uma grande movimentação de jovens, muitas motocicletas e carros uma verdadeira procissão naquele local, logo recebi a noticia que se tratava do velório de um jovens que havia sido morto pela polícia no dia anterior em um assalto a uma agência bancária, fato esse que me chamou atenção pois no dia anterior o ônibus que peguei para retornar a minha residência passou próximo a esta agência bancária  onde pude constatar o fim do assalto e o corpo desse jovem ser recolhido, coincidência ou não lá estava eu no velório municipal da cidade velando um amigo e presenciando o velório desse rapaz.

Algo me chamou a atenção a comoção e desespero era eminente e não pude deixar de notar as pessoas, os familiares a namorada do jovem e a mãe do rapaz inconformada e em desespero, logo me atentei aos comentários no local, aquela mãe estava ali enterrando o segundo filho em menos de três dias de intervalo da morte de outro, o que ocorreu é que o filho mais novo de aproximadamente 19 anos tinha participado de um assalto no domingo e havia sido alvejado pela polícia e com os ferimento veio a falecer, o enterro do mesmo ocorrera na segunda feira e após os sepultamento do filho o irmão mais velho de aproximadamente 21 anos na terça feira da mesma semana participando de um assalto em uma agência bancária fora alvejado pela polícia vindo também a falecer e naquele instante estava sendo velado para ser sepultado naquela tarde triste de quarta feira.

Minha mente foi a mil meu coração que havia se comovido com a família das rolinhas agora se quebrantava naquele instante ao ouvir os fatos, e incessantemente passei a pensar o que faltou naquele lar. Amor, segurança, atenção, não o sei, mas tenho convicção que faltara ali uma base sólida para aquela família, faltara ali Jesus Cristo, faltara ali a entrega do lar nas mãos do criador, faltara ali o controle de Deus.

Muitas vezes não paramos para refletir o quanto a misericórdia de Deus nos dá a oportunidade de vida, o quanto há de reconhecimento de sua palavra quando nos ensina a honrar nossos pais, a sermos filhos obedientes e como pais a corrigirmos nossos filhos com amor, a educar, acompanhar e ensinar o que é correto aos olhos de Deus  a nossa família. Tudo isso me fez pensar mais em minhas filhas, no amor e no tempo que tenho com minha esposa se dedicando a cada uma delas, e me fez pensar também que graças a essa graça redentora temos ensinado os caminhos que as levem ao Senhor.

Pude refletir também que em ambos os casos citados seja o da natureza ou a da vida, apenas Deus tem o controle sobre todas as circunstâncias, seja por um fato acidental ou provocado, nossas escolhas ditam muito do que somos e onde podemos chegar, principalmente se essas escolhas forem feitas com a apreciação e aprovação do Senhor.

Em resumo penso que precisamos escolher bem o terreno da construção de nossas famílias, que esse terreno possa ser preparado com muito cuidado, carinho e amor e que em primeiro plano você possa escolher um construtor experiente para que seu lar permaneça firmado e em lugar seguro.

“Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção (...) Salmos 127:1a”

Pense Nisso!


terça-feira, 18 de março de 2014

Pensamento da Semana!



Aprendemos a Voar com os Pássaros, a nadar com os peixes; mas não aprendemos a simples arte de vivermos junto como  irmãos.
Martin Luther King